terça-feira, 9 de novembro de 2010

Eva

O processo da criação do mundo, pelo que se pode entender do texto escrito por Moisés, não foi muito complicado. Bastou que Deus dissesse umas poucas palavras para que céus e mares e terras e tudo o mais aparecesse miraculosamente — como era de se esperar.
Embora a criação não lhe causasse desgaste físico, Deus não se dispôs a fazer tudo de uma vez só. Depois de se ocupar durante cinco dias com a natureza, dedicou-se, no sexto, à criação do homem. Diante do desafio, usou um processo diferente: esculpiu em barro uma figurinha com forma idêntica a sua e, assistido por uma imensa plateia de anjos — já sabedores do poder do chefe, mas ainda assim espantados com a proeza da criação —, soprou o boneco de barro, que imediatamente começou a se mexer e a dar nome às coisas.
Parece que o dia a dia do primeiro homem não era muito estimulante: andar daqui prali no paraíso papeando com o Pai, que lhe ensinava uma única coisa o tempo todo. Deus ficou um pouco chateado em perceber que tudo o que tinha feito não era suficiente para a felicidade do homem e, não tendo outra saída, voltou à prancheta a fim de rever o projeto. Inteligente como é, viu logo onde estava o erro. A ideia inicial sofreu, então, mudanças consideráveis. E de grandes consequências.
Não há maiores detalhes no texto, e ficamos sabendo apenas que Deus, usando uma costela de Adão, fez pra ele uma companheira, que tinha a inexplicável capacidade de fazer ela mesma, dentro de si, com uma pequena contribuição de Adão, outros iguais a ela e a ele, que no resumo eram iguais ao próprio Deus.
Depois disso, um pouco melindrado e talvez um pouco arrependido do poder que concedera à mulher, Deus inventou a serpente, dona de uma conversa muito animada e interessante. 

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